Fora do Feed - 19 de jun.

A edição começa por "Após veto da China, investidores planejam recomprar Manus da Meta", de Startups, e usa essa notícia como porta de entrada para ler o restante da semana. Tese da edição: negócios, tecnologia e IA estão se misturando nas decisões que importam. Na sequência, "Cade liga alerta sobre guerra de preços e “subsídios agressivos” em delivery no Brasil" ajuda a mostrar que o tema não está isolado. O ponto não é acompanhar ferramenta por ferramenta, mas entender onde esses movimentos mudam custo, velocidade, distribuição, liderança e vantagem competitiva.

  1. Após veto da China, investidores planejam recomprar Manus da Meta

    Editorial

    A possível recompra da Manus por seus investidores originais, após o veto da China à aquisição pela Meta, evidencia uma nova realidade do mercado de inteligência artificial: tecnologia estratégica já não é tratada apenas como negócio, mas como questão de interesse nacional. O episódio mostra que, na corrida global pela IA, governos passaram a ter influência decisiva sobre fusões, aquisições e investimentos. Ter capital para comprar uma empresa deixou de ser suficiente; é preciso superar barreiras regulatórias e geopolíticas cada vez mais complexas. Mais do que uma disputa entre investidores e uma big tech, o caso Manus revela como a competição pela liderança em inteligência artificial está redefinindo as regras do mercado global. Hoje, inovação, poder econômico e interesses nacionais caminham lado a lado.

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  2. Cade liga alerta sobre guerra de preços e “subsídios agressivos” em delivery no Brasil

    Editorial

    O alerta do Cade sobre subsídios agressivos e guerras de preços no delivery chega em um momento crucial para o mercado brasileiro. A entrada de novos concorrentes e a disputa por participação podem beneficiar o consumidor no curto prazo, mas também carregam riscos para restaurantes, entregadores e para a própria concorrência. A experiência internacional mostra que descontos excessivos, frete grátis permanente e vendas abaixo do custo podem criar uma competição artificial, sustentada mais pelo caixa das empresas do que pela eficiência dos serviços. Quando essa estratégia se torna regra, o mercado pode acabar mais concentrado e menos saudável no longo prazo. Ao ligar o sinal de alerta, o Cade indica que a discussão já não é apenas sobre crescimento ou inovação, mas sobre garantir que a competição aconteça em condições equilibradas. O desafio será encontrar um ponto de equilíbrio entre incentivar a concorrência e evitar práticas que comprometam a sustentabilidade do setor.

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  3. IA é estratégica para 99% das empresas, mas avanço ainda esbarra em maturidade e orçamento

    Editorial

    O fato de 99% das empresas considerarem a inteligência artificial estratégica mostra que o debate sobre a relevância da tecnologia já foi superado. O verdadeiro desafio agora é transformar intenção em resultado. Maturidade organizacional, qualificação de equipes e orçamento continuam sendo os principais obstáculos para que a IA deixe de ser uma promessa e se torne vantagem competitiva real. O entusiasmo do mercado contrasta com uma realidade de implementação ainda limitada. Muitas empresas possuem planos de investimento, mas enfrentam dificuldades para definir casos de uso, medir retorno financeiro e estruturar governança adequada para a tecnologia. Mais do que investir em ferramentas, as organizações precisarão investir em cultura, processos e capacitação. A corrida pela IA não será vencida por quem adotar a tecnologia primeiro, mas por quem conseguir incorporá-la de forma estratégica, sustentável e alinhada aos objetivos do negócio.

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  4. Porto Digital investe R$ 18,5 milhões em plataforma para formar empreendedores e acelerar inovação no Nordeste

    Editorial

    O avanço do Porto Digital reforça uma verdade frequentemente ignorada: a inovação brasileira não está concentrada apenas no eixo Sul-Sudeste. Ao consolidar um ecossistema de tecnologia, empreendedorismo e formação de talentos no Nordeste, o polo pernambucano demonstra que desenvolvimento econômico e transformação digital podem caminhar juntos. Mais do que atrair empresas e startups, o desafio é criar oportunidades, reter profissionais qualificados e conectar inovação às demandas reais da região. Iniciativas de capacitação, aceleração de negócios e parcerias com grandes organizações mostram que o modelo vem gerando resultados concretos para a economia local. O crescimento do Porto Digital é um exemplo de que políticas de longo prazo, colaboração entre universidades, empresas e governo, e investimento em capital humano podem transformar realidades. Em um país marcado por desigualdades regionais, fortalecer polos de inovação fora dos grandes centros não é apenas uma estratégia econômica, mas uma necessidade para o desenvolvimento nacional.

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  5. Selbetti amplia ecossistema com duas aquisições e adiciona R$ 40 milhões em receita anual

    Editorial

    A estratégia de crescimento da Selbetti por meio de aquisições reflete uma tendência cada vez mais presente no setor de tecnologia: expandir capacidades e ganhar escala de forma acelerada. Em um mercado marcado por transformação digital constante, incorporar novas empresas pode ser mais eficiente do que desenvolver competências internamente. Mais do que aumentar faturamento ou presença geográfica, a consolidação de um ecossistema de soluções busca atender clientes de forma integrada, reunindo serviços, tecnologia e inovação sob uma mesma estrutura. O desafio, porém, está na integração cultural e operacional das empresas adquiridas, fator decisivo para o sucesso dessas operações. O movimento da Selbetti mostra que o crescimento sustentável no setor de tecnologia depende não apenas de inovação, mas também de visão estratégica. Em um ambiente cada vez mais competitivo, empresas que conseguem combinar expansão, especialização e capacidade de execução tendem a ocupar posições de destaque no mercado.

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  6. Keeta contra-ataca iFood e decide pagar multa de exclusividade de restaurantes. Mas veta (em partes) 99Food

    Editorial

    A decisão da Keeta de pagar multas para romper contratos de exclusividade com restaurantes mostra até onde a guerra do delivery no Brasil está disposta a chegar. O movimento evidencia que a disputa deixou de ser apenas por consumidores e entregadores; agora, o principal campo de batalha são os próprios estabelecimentos comerciais. Ao mesmo tempo, a estratégia revela uma contradição: enquanto critica acordos que limitam a concorrência, a empresa impõe restrições à adesão dos restaurantes à 99Food para assumir integralmente esses custos. O episódio reforça que a competição no setor está sendo marcada por incentivos agressivos e disputas jurídicas, e não apenas pela qualidade do serviço. Para o mercado, a entrada de novos concorrentes é positiva e pode reduzir a concentração histórica do setor. Mas caberá ao Cade garantir que a busca por espaço não substitua um modelo de exclusividade por outro. O desafio é promover uma concorrência que beneficie restaurantes, entregadores e consumidores de forma duradoura.

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